Pelo direito de brincar

Eu conheci o projeto LIA em 2016 e desde então a luta dessas mães virou também minha luta. O que elas querem é que os filhos, portadores de necessidades especiais, tenham condições de brincar em locais públicos.

Chega até a ser absurdo pensar que um direito tão básico, como o lazer, era privado para crianças portadoras de deficiência. Dois irmãos não poderiam brincar juntos no mesmo parque público, porque os brinquedos não eram adaptados para quem tem necessidades especiais. Essa condição apenas segregava ainda mais essas crianças que apenas queriam aproveitar a própria infância.

Felizmente, em Campinas, essa realidade começou a mudar. É um pequeno passo, mas a Pedreira do Chapadão recebeu o primeiro parque público adaptado da cidade. E o mais importante dessa realização é perceber que o parque não é só para portadores de deficiência. É para todos. Essa é a grande questão que ainda trava o entendimento do que realmente é inclusão. Inclusão significa tornar possível que aqueles que possuem determinadas limitações físicas, motoras ou mentais, consigam conviver em harmonia com aqueles que não têm.  Eles não precisam de um lugar separado. Precisam de um lugar adaptado, em que possam conviver com outros membros da sociedade, como qualquer cidadão. Convivência é o que eles precisam.

E enquanto esse conceito não for enraizado de forma voluntária, precisa ser imposto por meio de força de lei. Esse é o papel do legislador. Observar as medidas que a sociedade precisa para se tornar um lugar mais justo e igualitário. Por isso sou a favor de que pelo menos 30% dos parques públicos tenham brinquedos adaptados. Não só em Campinas, mas em todo o Estado. Já é chegada a hora de que as leis beneficiem quem mais precisa. Chegou a hora de todos lutarem pelo lazer, inclusão e acessibilidade.