Colesterol alto: o que você precisa saber

Colesterol alto é um dos principais fatores de risco para problemas do coração e quanto mais alto for o nível sanguíneo e maior o tempo de exposição a essa condição, maiores as chances de desenvolver doença nas artérias coronárias ou mesmo ter um ataque cardíaco. Isso porque facilita o acúmulo de gordura nas paredes das artérias do coração, ocasionando o “endurecimento” e estreitamento das mesmas, reduzindo ou mesmo bloqueando completamente o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

Quando o bloqueio é parcial, a quantidade de sangue e oxigênio que chega ao coração não é suficiente e o sintoma será a angina (dor no peito) aos esforços. Mas se o bloqueio da artéria for completo, o resultado será um infarto. O nível elevado de colesterol, por si só, não causa sintomas e muitas pessoas passam décadas sem saber que têm o problema. Por isso, é importante dosá-lo periodicamente, pois corrigindo os níveis do colesterol, diminui-se o risco de morte por doença do coração, seja jovem, idoso, meia-idade, homem ou mulher.

Pessoas acima dos 20 anos deveriam ter seu colesterol medido pelo menos a cada cinco anos. Para aqueles que tenham detectado alguma alteração nos valores, a avaliação deve ser anual e feita por meio do exame “Perfil Lipídico”, que mede os diferentes tipos de gordura presentes no plasma sanguíneo e fornece as seguintes informações: Colesterol total (soma dos diferentes “tipos” de colesterol – ideal inferior a 200mg/dl), LDL (colesterol ruim, responsável pela deposição de gordura na parede das artérias – ideal menor que 130mg/dl), HDL (colesterol bom, protetor para o coração – ideal maior que 40mg/dl) e Triglicerídeos (outra forma de gordura que pode estar envolvida no desenvolvimento da aterosclerose – ideal abaixo de 200mg/dl).

Várias condições podem afetar seus níveis, algumas imutáveis e outras que dependem única e exclusivamente das atitudes individuais. Entre as condições imutáveis estão a idade, a hereditariedade e o sexo. Já as mutáveis são velhas conhecidas: alimentação, obesidade e sedentarismo. Portanto, medidas simples como acompanhamento médico periódico, alimentação saudável, atividade física regular e controle de qualquer outra condição que aumente o risco de infarto, tais como parar de fumar, controlar a pressão e o diabetes e lidar bem com as adversidades da vida e do trabalho podem fazer toda a diferença.

Silvio Gioppato é mestre em cardiologista pela UNIFESP, diretor técnico do laboratório de Hemodinâmica e Cardiologia Invasiva do Hospital das Clínicas da Unicamp, Coordenador médico-científico nos serviços de Cardiologia Invasiva do Hospital Vera Cruz e no Instituto Dr. Jayme Rodrigues do Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí. Também é médico hemodinamicista colaborador do Hospital Bandeirantes, em São Paulo