Como falar de sexo com as crianças

Educar e orientar sobre a sexualidade é deixar de lado julgamentos e preconceitos. Muitas vezes, precisamos rever nossos conceitos de normalidade, adequação e diversidade para quebrar tabus e nos relacionar melhor, principalmente com os filhos. Quando pensamos qual seria o momento para começar a orientar os filhos e as crianças sobre sexo, não existe uma idade ideal.

Geralmente, as perguntas começam a surgir por volta dos três aos seis anos de idade, quando as crianças começam a ver mulheres grávidas, cenas de carinho em público ou na televisão e outras crianças sem roupa. A partir dessas experiências, aparecem as perguntas relacionadas à gravidez, ao nascimento, às diferenças anatômicas e à própria descoberta do corpo.

O ponto inicial da conversa é quando a criança pergunta. Esse primeiro momento é importante, a partir dele tem a oportunidade de manter o canal aberto para educar, informar, esclarecer e intervir no que não for correto. É interessante que nesse momento, onde visitamos nossos conceitos, preconceitos e julgamentos, torna-se a oportunidade para revisá-los em prol da educação do filho e refletirmos sobre nós mesmos.

Os pais devem abordar sempre de uma forma natural e as respostas devem ser simples, claras, objetivas e pontuais, se for insuficiente, com certeza a criança perguntará mais. O importante é não mentir, nem utilizar metáforas porque a criança ainda não desenvolveu essa capacidade de entendimento. A mentira gera descrença nos pais e o excesso de informações fazem uma confusão na cabeça da criança.

A importância da educação e orientação sexual pela família é sustentada e comprovada por diversas evidências. Isto é, fortalece a relação de confiança entre os pais, além de aumentar a intimidade. É uma forma de promover o diálogo sobre os vários assuntos familiares e pessoais, promovendo um desenvolvimento afetivo e cognitivo. Como também é uma forma de expressar cuidado e afeto.

Outro ponto é que a rigidez não colabora com qualquer processo educacional. Às vezes, é muito difícil lidar com orientação sexual, mas talvez esse momento seja a oportunidade para buscar informações, pedir ajuda, revisar seus preconceitos e julgamentos que geram tabus e dificultam as relações, principalmente com os filhos.

Livros podem ajudar e são muito recomendados, porque oferecem recursos diferentes e orientações para os pais que tem dificuldades em lidar com essa temática, além de poder ser lidos pela criança ou adolescente. Recomendo alguns títulos: “Mamãe, como nasci?”, “Menino brinca de boneca? E “Conversando com seu filho sobre sexo”, todos são do autor Marcos Ribeiro.

Márcio Belo é médico sexólogo, psicoterapeuta de casais e família, pós-graduando em psiquiatria.