O topo da Montanha

ator e apresentador Lázaro Ramos estará em Campinas entre os dias 23, 24 e 25 de fevereiro, encenando a peça “O Topo da Montanha”, junto com sua esposa Taís Araújo. O espetáculo que já foi visto por mais de 100 mil espectadores e está em cartaz desde 2015, também é dirigido por ele. Aproveitando sua passagem pela cidade, Lázaro também participa do Fórum Campinas pela Paz, juntamente com Arun Ghandi, neto de Mahatma Gandhi. Ele reservou um tempinho na agenda e conversou com a Revista Prado.

Revista Prado –  Como vocês conseguiram trazer humor a um tema tão denso e duro?

Lázaro Ramos – O texto original já é preenchido de humor. Como diretor do espetáculo eu até suprimi algumas partes de humor, porque nos EUA a figura de Luther King já é estabelecida, mas no Brasil, temos um desafio duplo que é de humanizar o Luther King para quem já o conhece e apresentá-lo aos espectadores que não tem conhecimento de quem ele foi. A peça é sobre um homem que fez coisas importantíssimas e nos últimos momentos da vida começa a refletir se já fez o suficiente. O humor chega justamente para trazer essa leveza a este personagem que está tão tenso. A gente ri junto, se identifica com ele e nos sentimos próximos a Luther King.

RP – Você acha que a comédia é a melhor maneira de trazer leveza a temas como este?

Lázaro – Eu tenho dúvidas se todos os temas são possíveis de ser tratados com leveza e humor, mas eu sempre tento. Sei que o humor é uma arma importantíssima de aproximação. Não é à toa, que no Brasil, quando passamos pelos momentos de maior dificuldade, o humor brota com uma facilidade impressionante. Eu, como trabalho com humor, e gosto da comédia, tento sempre usar um pouco de humor para deixar o coração um pouco mais leve, encantar a plateia e levar a mensagem.

RP – Para você, como está sendo representar, por mais de dois anos, uma figura tão emblemática como Luther King?

Lázaro – Confesso que há um ano comecei aproveitar. Desde a estreia eu senti um grande compromisso de viver esse homem, de levar a mensagem dele e de sermos escutados. O primeiro ano foi o momento de entender e dialogar com a plateia, entender até onde eu poderia ir, entender se a cada cidade que chegávamos tinha que ter uma mudança ou não, o que falar antes e depois do espetáculo. Hoje em dia, as dúvidas não são tantas e o prazer é imenso.

RP – Como é contracenar com sua esposa, Taís Araújo, como é essa relação?

Lázaro – É muito bom trabalhar com a Taís. Já fizemos outros trabalhos juntos e é um encontro muito especial. O fato de ser marido e mulher não determina se os atores terão química em cena, mas nós temos essa sorte de ter essa química. É mágico quando a gente entra em cena e os personagens são a voz que dominam nossa relação.

RP – Aproveitando que estará em Campinas para o espetáculo, você irá participar do fórum pela paz, com o neto de Ghandi. Como está sendo essa experiência?

Lázaro – Acho muito importante falarmos sobre paz e sobre violência. Vivemos acuados, sem saber o que fazer, sem saber qual é a nossa parte nesse processo e a conversa será uma alusão ao Ghandi e ao mesmo tempo será uma maneira de me ver como parte do problema e da solução, e de se debater esse assunto que já vem afligindo a todos a muito tempo. Que bom que podermos falar sobre a paz.

RP – Projetos e planos para a carreira em 2018?

Lázaro – Em 2018, os planos são continuar trabalhando com a literatura. Em abril lanço um novo livro infantil, junto com algumas canções. Continuo com a série Mister Brown e o Lazinho com você, quadro do Fantástico, volta no fim do ano.