O irreverente e genial amante do vinho

Wolfgang Amadeus Mozart, é considerado um dos maiores nomes da música erudita e um dos compositores mais importantes da história da música clássica. Austríaco, o jovem Amadeus desde cedo demonstrou ter habilidades musicais excepcionais:compôs pela 1ª vez aos cinco anos de idade e, um ano mais tarde foi convidado a tocar para a imperatriz da Aústria; aos 12, compôs sua primeira ópera. Até morrer precocemente, aos 35 anos, ele produziu mais de 650 obras.

Sua genialidade precoce o tornou o queridinho dos monarcas, e Mozart aproveitou seu status e seus privilégios nas cortes. Desde jovem logo descobriu os prazeres da vida, da mesa e das taças, e isso refletiu em sua obra.

Suas composições tinham como inspiração, dentre outros temas, a beleza das mulheres e o sabor do vinho. Mozart tinha acesso aos melhores vinhos do mundo, por estar sempre circulando entre os grupos de nobres e abastados, tendo provado os melhores vinhos de Grüner Veltliner e de Blaufränkisch da Áustria. Na Itália, bebericava taças de Marzemino, aliás, é com uma taça deste vinho na mão que o personagem de Don Giovanni morre na ópera de mesmo nome.

Na Itália, encontramos Marzemino principalmente na região de Trentino, Lombardia, Friuli-Venezia Giulia e Vêneto. Mas ela também está presente na Áustria, Austrália, Nova Zelândia e até mesmo no Brasil.

Na ópera Don Giovanni, de 1787, Mozart consagrou uma ária à sua bebida predileta. A ária de Champagne, também conhecida como “Finch’ han del vino”, é cantada por Don Giovanni, personagem inspirado em Don Juan, o lendário sedutor de corações femininos. Nesse trecho, Don Giovanni, já jurado de morte por maridos ciumentos, diz ao seu pajem que organize uma festança e convide todas as garotas que conseguir encontrar pela rua, pois, na manhã seguinte, ele quer ver sua lista de conquistas aumentada em uma dezena.

Quando uma de suas ex-amantes tenta convencer Don Giovanni a mudar de vida, ele logo exclama:” Vivam as mulheres e o bom vinho! Sustento e glória da humanidade”. Numa das cenas finais, ele está em casa aproveitando-se de um farto jantar, o pajem serve uma taça de Marzemino ao seu senhor durante sua última refeição. É com esse vinho na mão que Don Giovanni é tragado por uma estátua amaldiçoada (que tragicamente havia aceitado o convite jocoso do anfitrião para cear consigo naquela noite).

Era o espírito do pai da moça que ele tentou seduzir no começo da história e que acabou assassinado por Don Giovanni. Sem conseguir fazer com que o galanteador se arrependa de seus atos, a estátua acaba por levá-lo ao inferno.

Que tal procurar um Marzemino, para entender como esse vinho conquistou Mozart? Essa pode ser uma experiência única!

Texto com citações extraídas da matéria de Arnaldo Grizzo para revista Adega 2016