Infarto: como reconhecer

Quem já teve um infarto saberá reconhecê-lo em uma segunda vez, isso porque os sintomas são muito evidentes. O mais comum é a dor no centro do peito em aperto, opressão ou queimação comumente associada a intenso suor frio, náusea e vômitos. Porém, existem outros sintomas que também podem estar relacionados a um ataque cardíaco: falta de ar, dor na região do estômago (algumas vezes confundida com azia), dor na mandíbula, no pescoço, nos ombros e nos braços (principalmente no esquerdo) e tontura. A atenção deve ser redobrada para esses sinais do corpo, pois em alguns casos eles começam devagar, vem e vão, e podem causar complicações se não identificados a tempo.

Quanto mais rápido o diagnóstico, maiores as chances do paciente superar o infarto sem grandes sequelas, sendo que as três primeiras horas são conhecidas como “Horas de Ouro” para o atendimento da emergência. Conduzir o mais rápido possível o paciente para um serviço de emergência ou acionar imediatamente o serviço de resgate (SAMU) são medidas fundamentais. Caso exista a desconfiança de infarto, a pessoa nunca deve ir dirigindo para o pronto socorro, e sim, com a ajuda de alguém que esteja próximo. Isso pode salvar a vida dela e a de outros.

Quando o paciente é atendido prontamente, as chances de desobstrução da artéria entupida são grandes nos serviços de emergência dos hospitais e as novas tecnologias tem permitido significativa redução da taxa de mortalidade por infarto. O procedimento mais usado é o cateterismo seguido de angioplastia coronária com stent, que restabelece a luz do vaso e o fluxo sanguíneo. Outra possibilidade é a utilização de medicamentos capazes de “dissolver” o coágulo, permitindo que o sangue volte a circular.

Entre os grupos com maiores chances de apresentar um infarto estão homens com mais de 45 anos e mulheres com mais de 60. Embora em qualquer idade, mesmo que com menor incidência, o infarto possa se manifestar. Outros fatores também aumentam o risco da doença, como diabetes, hipertensão, fumo, angina, colesterol alto, estresse, sedentarismo, hereditariedade e obesidade.

 

Silvio Gioppato é médico cardiologista, coordenador médico-científico nos serviços de Cardiologia Invasiva do Hospital Vera Cruz e no Instituto Dr. Jayme Rodrigues do Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí. Chefe da equipe de Cardiologia Invasiva do Hospital das Clínicas da Unicamp e também médico hemodinamicista colaborador do Hospital Bandeirantes, em São Paulo.