Entrevista – Adriana Flosi | Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC)

A Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC) comemora 97 anos e a história da entidade começou no início do século XX, quando um grupo de empresários se reuniu para discutir a criação de um centro de representatividade para o comércio campineiro, o Centro Comercial de Campinas. O nome Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC) foi adotado mais tarde, em junho de 1957. Adriana Flosi, vice-presidente da Associação falou com a Revista Prado sobre os desafios deste ano e as perspectivas para 2018.

Revista Prado –  Como você avalia o desenvolvimento do comércio da Campinas nas últimas décadas?

Adriana Flosi – O varejo, assim como os demais setores da economia, tem sido impactado de maneira acelerada por mudanças provocadas pelo avanço da tecnologia e isso é um grande desafio para o varejo da cidade e exige respostas rápidas para desenvolver, solucionar, comunicar e disseminar ferramentas capazes de responder ao consumidor do século 21. O comércio de Campinas precisa assimilar esse conceito, independentemente do porte das empresas instaladas aqui e perceber a mudança de comportamento do consumidor.

RP – Com o aumento do número de shoppings centers na cidade, o comércio da região central sentiu uma evasão dos clientes, ou a demanda não foi afetada?

Adriana – Esse impacto foi mais forte no passado e acredito que já tenha sido assimilado. Os consumidores valorizam atualmente locais onde eles tenham uma experiência de compra agradável. Oferecer essa experiência é um desafio tanto para quem tem uma loja na região central como para o lojista que está no shopping. Ambos, por exemplo, têm a concorrência do e-commerce. Ao comprar de forma online, o consumidor deixa de ir a lojas de shopping ou de rua. Portanto, acredito que o foco não é mais estar na rua ou em um shopping, o que fará o lojista crescer será oferecer uma experiência de compra memorável, implantar processos de transformação digital, obter dados de preferência do consumidor e saber como analisá-los.

RP – A revitalização da região central de Campinas tem ajudado a atrair novos comerciantes e consumidores?

Adriana – A ACIC foi fundada há 97 anos no Centro de Campinas e na época era uma localização óbvia, já que em todas as cidades o Centro é o ponto a partir do qual o município se desenvolve. Hoje a entidade está atenta aos desafios do empreendedor onde quer que ele esteja. A região central é atraente para quem quer montar um negócio desde que o empresário implante uma gestão eficiente. A revitalização da Avenida Francisco Glicério e a padronização de fachadas foi a intervenção de maior porte nos últimos anos e colaborou para a melhoria do ambiente em torno das lojas. Porém a administração municipal tem ainda grandes desafios, que passam principalmente pela questão das pessoas em situação de rua e pela limpeza e manutenção da região.

RP – Com a crise econômica que abalou todo o país, como os comerciantes da região central conseguiram se reinventar e manter os números positivos?

Adriana – Nossos números refletem o faturamento do varejo, inadimplência do consumidor, níveis de emprego de forma geral. Não há como seccioná-los por região da cidade. Se reinventar e conseguir números positivos tem relação direta com uma gestão eficiente, estar preparado para usar ferramentas tecnológicas de forma racional e a favor do negócio, e atentar para o engajamento do time de colaboradores. Além disso, é preciso dar atenção total ao consumidor, usar ferramentas adequadas para conhecê-lo, saber suas preferências e assim criar um relacionamento que o faça voltar à loja.

RP – De que forma a associação colabora para a expansão e fomentação dos negócios dos associados? Qual a participação da ACIC nesse crescimento e desenvolvimento ao longo dos anos?

Adriana – Nosso trabalho é baseado em quatro pilares: Redução de Custos, Educação Empreendedora, Oportunidade de Negócios e Transformação Digital. Todas as atividades desenvolvidas pela entidade têm esses conceitos como fundamento. Há muitas opções, desde cursos diários, rápidos e gratuitos para treinamento de colaboradores das empresas associadas, como rodadas de networking diárias, entre outras atividades cotidianas. Destaco ainda dois grandes eventos anuais, o Fórum Regional do Varejo e a Semana de Negócios e Empreendedorismo, que juntos atraíram mais de 3,6 mil empreendedores. Ao todo, em 2017, impactamos 5,6 mil pessoas em 284 horas de conteúdo. A participação da ACIC no resultado das empresas tem relação direta com o nível de engajamento do associado. Quanto mais clara é a necessidade das empresas, melhor é a adequação delas às atividades da associação.

RP – Quais os planos e perspectivas para 2018?

Adriana – Em relação ao contexto econômico, temos uma perspectiva de melhoria das metas inflacionárias e queda das taxas de juros. A balança comercial e mercado cambial também devem ser favoráveis. O mercado de trabalho tem apresentado neste final de ano uma pequena elevação nos níveis de emprego, que deve continuar em 2018 e se expandir até 2019. Isso tudo vai se refletir na melhoria dos índices de confiança do consumidor e do empresário. Dessa forma, vamos retomar os níveis de consumo. Na ACIC, vamos seguir aprimorando nossos produtos e serviços com base nos quatro pilares que citei. Sempre levando em conta a realidade principalmente das pequenas e médias empresas. Inovação é uma preocupação constante para a entidade.