Novembro Azul

Ubirajara Ferreira é professor titular de Urologia da Unicamp e diretor técnico da Clínica Urohominis. Atua como professor na Unicamp, pesquisador na área de urologia oncológica e faz parte do corpo clinico que realiza cirurgias em pacientes do Hospital de Clínicas da Unicamp.  Ele conta que no Brasil, o câncer de próstata é uma das principais causas de mortes entre os homens e conversou comigo sobre o assunto. Confira a entrevista.

Revista Prado –  Como e onde o câncer de próstata se desenvolve?

Ubirajara Ferreira – O câncer de próstata se desenvolve, na maioria das vezes, na periferia da glândula prostática, órgão localizado logo abaixo da bexiga, acoplada ao reto, envolvendo a uretra, causando compressão no canal urinário à medida que o homem envelhece. Esta compressão leva a distúrbios na micção, como afilamento do jato, aumento do número de micções, dentre outros. Pela sua localização, as alterações decorrentes do câncer são perceptíveis ao toque retal.

RP – No Brasil, o câncer de próstata é uma das principais causas de mortes entre os homens?

Ubirajara – O câncer de próstata é o tumor maligno mais frequente em homens, depois dos cânceres de pele. Ele é o segundo que mais mata, depois do câncer de pulmão. Há maior prevalência da doença nos parentes consanguíneos de pacientes portadores, naqueles que ingerem muita carne gordurosa e nos homens negros.

RP – É possível prevenir a doença? De que forma?

Ubirajara – Evitar carnes gordurosas e preferir uma alimentação rica em leguminosas, evitar sedentarismo, pois a obesidade pode levar ao aparecimento de cânceres mais agressivos, não esperar os sintomas urinários para procurar um médico e fazer o exame de toque e dosagem de PSA (proteína produzida pela próstata) regularmente para avaliar o aumento de tamanho da próstata são algumas medidas preventivas.

RP – Qual a importância do exame de toque?

Ubirajara – O toque retal e a dosagem de PSA são fundamentais para o diagnóstico da doença. O recomendado é fazer o exame com intervalos entre um e três anos, dependendo do risco que o paciente apresenta nas avaliações periódicas. Por exemplo, se o paciente apresenta dosagem de PSA um pouco acima do esperado para sua idade, deve fazer avaliações com intervalo de até seis meses.

RP – Qual o tratamento mais comum e qual sua eficácia?

Ubirajara – Os tratamentos mais eficazes são a cirurgia, que consiste na retirada completa da glândula, a radioterapia, em que doses de radiação são administradas diariamente ao longo de algumas semanas e a braquiterapia, que é um tipo de radiação liberada por meio de sementes radioativas, colocadas diretamente na próstata.

RP – Quais os índices de cura?

Ubirajara – Os índices de cura dependem muito do volume de tumor que o paciente apresenta. Se a doença ainda está localizada na glândula, as três modalidades de tratamento são eficazes. Porém, se acompanharmos os pacientes por 15 anos ou mais, os que foram submetidos a tratamento cirúrgico apresentam maior chance de estarem livres da recidiva da doença. Cerca de 90% dos operados, 85% dos que se submeteram a radioterapia e cerca de 80% dos que receberam braquiterapia estarão livres do câncer.