Atenção com a saúde masculina

A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para 2016 foi de 61.200 novos casos de câncer de próstata no Brasil, o que representa 28% de todos os casos de câncer no homem. Diante da alta incidência da doença é muito comum conhecer alguém próximo ou a até mesmo receber este diagnóstico. A boa notícia é que os avanços da medicina vêm permitindo que a maioria dos pacientes sejam curados e que realizem tratamentos com menos efeitos colaterais, mantendo a qualidade de vida.

Homens que recebem o diagnóstico devem agendar consulta com um oncologista para que o médico faça a “classificação de risco” da doença, que envolve o tamanho e a invasão do tumor, valor de PSA, o grau de diferenciação do tumor pela biópsia e a presença ou a ausência de metástases. Assim, o câncer de próstata poderá ser classificado em grupos de muito baixo risco, baixo risco, risco intermediário e alto risco.

Cada paciente é avaliado individualmente e poderá decidir junto com seu médico a melhor forma de tratamento, respeitando sua decisão. Algumas opções de tratamentos disponíveis indicados para pacientes com a doença restrita à próstata começam com a observação vigilante, indicada para pacientes de muito baixo risco. Há a cirurgia e radioterapia externa ou interna, conhecida como braquiterapia e outra alternativa é a terapia de supressão androgênica, que pode ser realizada combinada com radioterapia.

E quando o tumor se espalha para outros órgãos, há algo a se fazer? Sim! Já tivemos grandes avanços e desde 2012 foram aprovadas cinco novas medicações, além da supressão androgênica, realizada quando há metástases. São quimioterapias, novos antiandrógenos como abiraterona e enzalutamida, vacina sipuleucel T e um radio fármaco (Radium 223).

Com todos esses caminhos, receber o diagnóstico de câncer de próstata não deve ter o estigma de incurabilidade ou de tratamentos sofridos. As opções de terapias cada vez mais eficazes e com menos efeitos colaterais já são uma realidade que permitem o sucesso na luta contra este tipo de câncer.

David Pinheiro Cunha é oncologista, graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, membro titular da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e integrante do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, formado por oncologistas que fazem atendimento humanizado e multidisciplinar no Hospital Vera Cruz, no Hospital Santa Tereza e no Radium Instituto de Oncologia.