Afinal, tudo é Pilsen?

Estamos acostumados a consumir a cerveja pilsen, que refresca nosso dia e mata a sede. Mas, afinal, tudo que bebemos é pilsen?

Toda cerveja pilsen é Lager, mas nem toda Lager é pilsen. Originalmente as cervejas pilsen surgiram na Boêmia, hoje República Checa, na cidade de Plzeň em 1842, desenvolvida pelo cervejeiro Josef Groll. Em uma viagem a Inglaterra, Groll aprendeu a técnica para deixar o malte mais claro e a aprimorou ainda mais, deixando a cerveja dourada e brilhante, surgindo assim o tipo Pilsen. Logo o estilo avançou pela Alemanha e depois por toda a Europa.

As pessoas ficaram maravilhadas com a cerveja, de baixa fermentação, leve, refrescante e translúcida. Até então, as cervejas da época eram servidas em canecas de cerâmica, cobre ou couro e não se via o líquido que estava dentro. Com o advento da produção em massa do vidro, até então usado somente pela nobreza, as cervejas passaram a ter também o aspecto visual cultuado.

Na Alemanha sua receita foi aperfeiçoada, surgindo assim os dois estilos que são genuinamente pilsen: German Pils e Bohemian Pilsner. A primeira tem um caráter mais amargo e leve, a segunda mais intensa e equilibrada. A genuína Pilsen é delicada, pronunciada, saborosa, aromática e apetitosa. Ambas seguem a Lei de Pureza Alemã de 1516.

A Pilsen encantou todos e atravessou oceanos e com o passar do tempo tornou-se o estilo mais consumido no mundo e perdeu suas raízes com a massificação. Com o intuito de agradar a mais paladares e baratear custos, as grandes cervejarias deixaram a qualidade da cerveja de lado e visaram somente o alto consumo. O uso de matérias primas como arroz, milho e extrato de lúpulo, mudou o perfil que se sentia na verdadeira pilsen. Surgiram novas classificações para diferenciar essas cervejas do estilo original. As Lite American Lager e Premium American Lager com altas quantidades de cereais não maltadas, adjuntos e aditivos químicos deixam a bebida fraca e pálida. Essas cervejas passam por processos de filtragem e antecipação de produção que mal deixam a cerveja viva.

Sim, esses dois últimos estilos são as famosas cervejas “pilsen” encontradas em mercados e bares. Por uma determinação mercadológica se manteve o nome “PILSEN”, quando, na verdade são lite/Premium American Lager de baixa qualidade e que nada tem a ver com as verdadeiras.

É possível produzir e beber bons exemplares nacionais e importados das pilsen. São cervejas extremamente delicadas e sofrem muito com o tempo, portanto, procure sempre as mais frescas possíveis. Dentre as nacionais podemos citar a Leopoldina Bohemian Pilsener e Invicta Hell Beirão German Pils e as importadas Pilsner Urquell e a 1795 Original. Uma autêntica pilsen traz amargor forte e refrescante, carbonatação revigorante, doçura de malte, sabores de panificação e aromas florais dos lúpulos alemães e ou checos. São ótimas para harmonizar com pratos leves, frutos do mar, peixes, comidas mexicanas e sanduíches de presunto cru.

Saia da zona de conforto e experimente uma genuína Pilsen! Saúde!