A escola do futuro

Marcelo Veras é CEO da Unità Faculdade, sócio e membro do conselho da Inova Consulting, professor de estratégia empresarial, planejamento de carreira e Life Design em cursos de MBA Executivo. Com 30 anos de experiência na área da educação e livros publicados, ele tem uma visão vanguardista sobre como deve ser a educação nos tempos modernos. Batemos um papo com ele que contou à Revista Prado sobre as necessidades de mudanças dentro das escolas para formar profissionais com as competências que o mercado exige hoje e no futuro bem próximo.

Revista Prado – Como enxerga a Educação nos dias de hoje? Apesar do avanço tecnológico, ela continua, em geral, no mesmo formato de anos atrás?

Marcelo Veras – Basicamente. As diferenças são muito poucas. Se congelássemos uma pessoa no século XIX e descongelássemos hoje, ela estranharia tudo, os carros, as casas, as roupas, mas quando chegasse a uma escola, diria: “Isso aqui eu conheço”. Alunos enfileirados, um dono da verdade (o professor), todos uniformizados, com horário para “tomar banho de sol” e uma pedra riscando outra pedra.

RP – Como seria a escola ideal para formar bons cidadãos nos tempos modernos?

Marcelo Veras – A escola ideal para preparar pessoas para este século deveria sofrer profundas transformações. Os currículos deveriam mudar e dar mais ênfase em competências comportamentais e solução de problemas reais. A estrutura teria que promover mais aprendizado colaborativo entre os alunos e as aulas tinham que ser mais dinâmicas e menos expositivas. O professor mais maestro e líder de equipes e menos um canhão de conteúdo. Os métodos deveriam ser mais ativos, onde o aluno é protagonista e não coadjuvante no processo. Ou seja, a escola do futuro é tudo, menos o que está aí hoje, com raríssimas exceções.

RP – Como o senhor avalia os métodos e sistemas de avaliação usados pela maioria das escolas?

Marcelo Veras – Os métodos atuais estão ultrapassados, focam em aulas expositivas, não engajam mais os alunos. É uma tortura assistir uma aula tradicional nos dias atuais.

RP – O senhor acredita que há escolas modernas, com métodos e sistemas modernos? Como são ou deveriam ser?

Marcelo Veras – Há sim, mas ainda poucas. O setor é muito conservador e insiste em não promover mudanças radicais. Mas já começam a brotar escolas com novas metodologias, menos focadas em vestibulares e mais na formação humana e no desenvolvimento de competências socioemocionais. O sistema como um todo ainda vai demorar a mudar, mas o cardápio de metodologias ativas está crescendo rapidamente: aprendizado por projetos, estudos de caso, aprendizado por problemas, sala de aula invertida, estudos do meio, perguntação, gamification, entre outros.

RP – O que essencialmente falta na educação de hoje?

Marcelo Veras – Coragem para mudar e passar a desenvolver as competências que o mercado de trabalho pede há anos. Em alguns setores, quando a mudança não vem de dentro, vem de fora. Mas vem. As companhias de táxi sempre souberam que o serviço era ruim e caro, mas não mudaram. Precisou vir alguém de fora, como um Uber e promover as transformações, por exemplo. Isso tem acontecido em vários outros setores e se escolas não mudarem, alguém virá e irá fazer isso por elas.