Como a Gordura Marrom pode fazer emagrecer!

Há anos cientistas estudam formas de acabar com o excesso de peso, que prejudica tanto a saúde quanto a silhueta. A solução já foi procurada em dietas e remédios. O tecido adiposo desempenha um papel central na fisiopatologia da obesidade e diabetes mellitus – também conhecida como diabesidade – que hoje é uma das principais causas de morbidade e mortalidade nos países ocidentalizados. Atualmente, o tecido adiposo é considerado um importante órgão endócrino com funções reguladoras no balanço energético e outras funções neuroendócrinas. Assim, grande parte da atenção dos pesquisadores se volta para uma arma que existe dentro do nosso próprio corpo e que até hoje não vinha sendo explorada: a gordura marrom.

Diferentemente do tecido adiposo branco, que armazena gordura no corpo, o tecido adiposo marrom a queima. Apenas 5 a 10% do tecido adiposo corresponde à gordura marrom. É localizado principalmente na nuca, ombros, coluna vertebral, órgãos importantes e vasos sanguíneos. Cerca de 50 gramas de gordura marrom queimam (em vez de armazenar) cerca de 300 calorias por dia e elevam em 20% a taxa do metabolismo basal. A gordura marrom apresenta um grande potencial como arma contra a obesidade. Quando ela é ativada para gerar calor, inicia-se um incrível processo de queima de calorias. Afinal, elas são o combustível para o funcionamento das células. Portanto, para cumprir sua missão, as células de gordura marrom recorrem à queima calórica.

Pesquisadores da Universidade de Ohio descobriram que a realização de exercícios de repetição, por períodos mais prolongados, aumenta no organismo a concentração do hormônio irisina. Produzida pelos músculos a partir do exercício, a irisina parece induzir à formação de tecido adiposo marrom em vez de estimular a produção do tecido adiposo branco. Na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, os pesquisadores descobriram que um dos segredos para elevar a produção da gordura que emagrece pode estar na maçã. Trata-se do ácido ursólico, presente na casca da fruta. Outros pesquisadores focaram seu interesse no poder do frio para ativá-la. No início do ano, um time de pesquisadores canadenses divulgou um trabalho no qual constatou que indivíduos submetidos a uma temperatura de 18 graus dobraram seu gasto de energia em comparação aos participantes que ficaram em ambientes com temperaturas mais elevadas. Os pesquisadores descobriram que, quando ficamos em um ambiente moderadamente frio, que eles definem como sendo “frio sem tremores”, nossos corpos queimam mais calorias. Como resultado, controlar nosso peso pode ser mais fácil. Esta é a conclusão de uma revisão recente que dois pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Maastricht na Holanda publicada na edição de novembro de 2016, do jornal Diabetologia.

Em um outro estudo, pesquisadores da Universidade do Texas em Galveston mostraram pela primeira vez que as pessoas com níveis mais altos de gordura marrom têm melhor controle de açúcar no sangue, maior sensibilidade à insulina e um melhor metabolismo para a queima de estoques de gordura. A exposição ao frio por mais de 10 dias aumentou a sensibilidade à insulina em 43% em diabéticos do tipo 2.  O aumento da sensibilidade à insulina deve ajudar a equilibrar os níveis de açúcar no sangue, reduzindo a necessidade de medicamentos para diabetes. Em suma, a atividade do tecido adiposo marrom induzida pelo frio é significativa em adultos e paralela à produção de calor. Até a próxima edição.