Entrevista – Jonas Donizete

O prefeito Jonas Donizete, em comemoração dos 243 anos de Campinas, falou com a Revista Prado sobre nossa cidade. Confira a entrevista.

Revista Prado – Se Campinas fosse uma pessoa, o que o senhor desejaria a ela em seu aniversário?

Jonas Donizette –  O povo de Campinas é generoso, sábio, solidário, criativo e trabalhador. Desejo que os melhores sonhos de todos os campineiros de nascimento ou de adoção se tornem realidade. Desejo que a cidade continue mantendo um crescimento sustentável nas dimensões humana, ambiental e econômica. Que continue a ser uma cidade de gente trabalhadora e obstinada, de artistas, de cientistas, de esportistas, de empreendedores, de pessoas capazes de inovar e, com suas inovações, inspirar o Brasil e o mundo a se tornar um lugar melhor.

RP – A crise econômica atingiu todo o país, como o município enfrentou e o que a Prefeitura priorizou? O que foi feito para que os efeitos fossem minimizados?

Jonas Donizette –  Campinas é conhecida pela capacidade de inovar e entendo que esse é o caminho que abraçamos para superar a crise econômica. É uma situação complexa, que envolve a conjuntura nacional, mas Campinas pode e está fazendo a sua parte. Precisamos de mais ofertas de trabalho para superar o estigma do alto desemprego. Por parte do governo municipal temos qualificado os gastos públicos, aumentando a eficiência do governo e também desburocratizando os procedimentos para pessoas empreenderem. Estamos trabalhando com prefeitos de outras regiões do país para o desenvolvimento de um novo pacto federativo, tornando mais justa a destinação de verbas estaduais e federais para os municípios. Aumentamos 22% no número de abertura de empresas na cidade no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016. Campinas é a segunda melhor cidade em infraestrutura no Brasil e a terceira melhor para se fazer negócios no País, segundo o Ranking Urban Systems de 2016. É também, entre os municípios com mais de um milhão de habitantes, a segunda melhor do Brasil na Gestão dos Recursos Públicos, segundo o ranking de 2016 da Folha de São Paulo. As perspectivas são otimistas, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) na região de Campinas, que envolveu 240 empresários, mostrou que 69% deles pretendem investir, 36% farão contratações e 56% vão manter empregos. Estamos no caminho certo.

 

RP– Campinas aparece em 5º lugar entre 100 municípios analisados pelo Índice das Melhores e Maiores Cidades Brasileiras e em 2013 a cidade foi considerada a metrópole campeã de bem-estar no Brasil. O que o senhor atribuiu para a cidade estar bem colocada nesse ranking?

 

Jonas Donizette – Faço votos que esse índice tenha aumentado. Conseguimos progressos na saúde, na educação, na melhoria da eficiência da gestão pública, certamente. Mas acho que precisamos avançar ainda mais na infraestrutura, com o BRT, com o projeto Nosso Cantareira, com os trens regionais, entre outros empreendimentos. Queremos mais participação da iniciativa privada no desenvolvimento humano e econômico de nossa cidade por meio de Parcerias Público Privadas, de concessões e das mais variadas formas de parceria que conseguirmos desenvolver.

RP – Campinas possui hospitais de boa qualidade, programas de apoio à população e também oferece muitas opções de lazer tanto para moradores quanto para visitantes ao ar livre. Quais os principais feitos da PMC nesse sentido? Quais os programas que o senhor julga serem os mais importantes e tenham trazido, de fato, uma condição melhor para os moradores da cidade?

Jonas Donizette –  Na área urbanística, tivemos a revitalização da Avenida Francisco Glicério, a Avenida Mackenzie e a conclusão das obras da Marginal Piçarrão. Na segurança, a Lei do Pancadão. Na área de saúde, a queda na mortalidade infantil, inauguramos quatro e reformamos mais 30 unidades de saúde, eliminamos o problema dos plantões médicos, contratamos mais de 2,2 mil profissionais e muitas outras ações. Na área do lazer, recuperamos o Taquaral, criamos os parques Dom Bosco e Luciano do Valle. No transporte, ampliamos o tempo do bilhete único e estamos implantando o BRT. No desenvolvimento, trouxemos empresas para a cidade. Na educação inauguramos oito creches e criamos cinco escolas integrais. Tudo isso é só uma modesta parte do que foi feito.

RP – Como estão os projetos nas áreas de trânsito, transporte, iluminação e resíduos sólidos para ampliar o programa de concessões em 2017?

Jonas Donizette –  Vamos prosseguir avançando na infraestrutura municipal e superar passivos urbanísticos. Em relação ao trânsito e ao transporte, a implantação dos corredores do BRT, e as concessões para exploração dos pontos de ônibus, serão benfeitorias expressivas para Campinas. Em relação à iluminação, sempre é bom lembrar da troca da iluminação de sódio por LED na região central, na Avenida Suaçuna (Ouro Verde), nas praças da Concórdia e João Amazonas, no bairro Campo Grande. Quanto aos resíduos sólidos estamos trabalhando na concessão do sistema de tratamento, com previsão de investimento de R$ 700 milhões, incluindo todo o processo, desde a coleta até os procedimentos de reciclagem e aterro do material estritamente não-aproveitável, com a construção de três usinas, sendo uma unidade de reciclagem, uma unidade de compostagem e uma terceira, de rejeitos, que poderá produzir carvão. Será um expressivo avanço na sustentabilidade.

RP – Qual mensagem deixa para os campineiros?

Jonas Donizette –  Vivemos uma situação difícil no campo econômico, mas os momentos de crise são aqueles em que a criatividade, a força da inovação de cada um é colocada à prova. Campinas é uma cidade que adotou no seu brasão um símbolo que é a metáfora da renovação: a fênix, ave mitológica que renasce das cinzas. A cidade marca sua história pela capacidade de se reinventar. Trata-se de um momento de construir novas pontes de oportunidades até então não pensadas. Temos uma classe de empreendedores marcada pela obstinação e pela criatividade e certamente, ao superarmos esse revés, estaremos ainda mais fortes e mais qualificados para os novos e ainda desconhecidos desafios do futuro.