Exposição da Comme des Garçons questiona os conceitos da moda

O Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova York exibirá a exposição Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between, até 04 de setembro de 2017. A estilista japonesa é conhecida pelas criações visionárias e habilidade de desafiar as noções convencionais de beleza e bom gosto.

Com 150 modelos femininos, a exposição conta com looks criados entre 1981 até os dias atuais. Ela é a segunda estilista viva a ser homenageada, depois de Yves Saint Laurent em 1983, em uma exposição organizada por Diana Vreeland.

Fundada em 1973, em Tóquio, a estilista Rei Kawakubo mostrou uma nova possibilidade sobre o conceito do vestir, ao reconfigurar os códigos estabelecidos no universo das roupas. Em 1975, a marca inaugurou sua primeira loja no distrito de Minami-Aoyama. Em 1978, lançou sua linha masculina. Na medida em que a marca se tornava bem-sucedida, a estilista começava a assinar acordos com franquias que operariam sob o nome da Comme des Garçons. No começo da década de 1980, com 80 empregados no escritório de Tóquio, a marca já vendia US$ 30 milhões por ano, em 150 lojas multimarcas.

Quando apresentou sua coleção em Paris em 1981, a estilista levou seu conhecimento de Arte, Literatura e Filosofia para mostrar roupas femininas com elementos masculinos, rasgadas, furadas, desfiadas e, aparentemente, sem acabamento. Sua coleção ganhou apelidos nada generosos da crítica, como “Hiroshima chic” e “pós-atômico”, contudo, o público descobriu que poderia usar a roupa como um instrumento de comunicação e da individualidade.

Naquela década a marca se estabeleceu pela predominância dos looks em preto e tecidos danificados. Sabe as calças jeans rasgadas dos 80 que voltaram a ser usadas em 2017? Pois é, voltaram!

Em tempo… Na abertura da exposição, em Nova York, os comentários enlouqueceram a internet com algumas ‘escolhas’ feitas pelas estrelas que pisaram no tapete vermelho. Era um evento que celebrava uma estilista que desafiou conceitos e formas. Assim, a estrela precisava dar dois passos à frente para mostrar que, além de apaixonada pela moda, também era uma fashionista. Ou seja, alguém que ‘transcende’ do politicamente correto dos manuais de estilo.