Como falar de sexo com as crianças?

Vergonha, situações constrangedoras e falta de desenvoltura são alguns fatores que impossibilitam os adultos de abordar o assunto com os pequenos

As crianças estão cada vez mais curiosas e descobrem a sexualidade cada vez mais cedo. Para os pais, muitas vezes, falar sobre sexo com os filhos é muito difícil e constrangedor. Para o médico e sexólogo Marcio Belo, geralmente as perguntas começam a surgir por volta dos três aos seis anos de idade, mas não existe uma idade ideal para falar sobre o assunto com as crianças. “Quando as crianças começam a ver mulheres grávidas, cenas de carinho em público ou na televisão e outras crianças sem roupa, as dúvidas e curiosidades aparecem e as perguntas relacionadas são inevitáveis”, aponta o especialista.

Marcio Belo explica que o ponto inicial da conversa deve ser quando a criança pergunta. “Esse primeiro momento é importante porque a partir dele tem-se a oportunidade de manter o canal aberto para educar, informar, esclarecer e intervir no que não for correto. É interessante que preste atenção em seus conceitos, preconceitos e julgamentos. Pode ser uma ótima oportunidade para revisá-los em prol da educação do filho. Procure ajuda profissional quando não conseguir compreender, resolver ou que tenha dificuldade de lidar com ou situações que causem sofrimento pessoal ou familiar”, aconselha o sexólogo.

Segundo o especialista os pais devem abordar o assunto sempre de forma natural e as respostas devem ser simples, claras, objetivas e pontuais, se for insuficiente, com certeza a criança perguntará mais. “O importante é não mentir nem utilizar metáforas porque a criança ainda não desenvolveu essa capacidade de entendimento. A mentira gera descrença nos pais e o excesso de informações fazem uma confusão na cabeça da criança”, elenca Marcio.

Para o sexólogo, a importância da educação sexual dada pela família é sustentada e comprovada por diversas evidências. “Fortalece a relação de confiança, além de aumentar a intimidade. É uma forma de promover o diálogo sobre os vários assuntos familiares e pessoais, promovendo o desenvolvimento afetivo e cognitivo, além de ser um jeito de expressar cuidado e afeto”, acrescenta o médico.

Os livros são recomendados, eles oferecem recursos diferentes e orientações para os pais que tem dificuldades em lidar com essa temática e também podem ser lidos pela criança ou adolescente. “Títulos como: Mamãe, como nasci? Menino brinca de boneca? e Conversando com seu filho sobre sexo, do autor Marcos Ribeiro, são indicados para abordar o tema”, recomenda Belo.