A problemática da obesidade sarcopênica

A obesidade sarcopênica é, basicamente, o ganho de gordura com perda de massa muscular, um tipo de obesidade que afeta principalmente os idosos, mas começa a em torno dos 40 anos. Esse é um problema que poderá aumentar consideravelmente com o rápido crescimento da população idosa na maioria dos países desenvolvidos. Massa muscular mais preponderante que massa de gordura é geralmente considerada uma combinação saudável

 

Um estudo realizado com mais de 3.000 pessoas, com mais de 65 anos, na Espanha determinou que 15% delas possuem a denominada obesidade sarcopênica. Calcula-se que o ser humano perde, por cada década de vida, entre 10 e 13% de sua massa muscular podendo ganhar a mesma quantidade (ou até mais) em massa de gordura conforme os hábitos de vida.

 

No quadro clínico da obesidade, até agora, pouco sabemos da influência da sarcopenia. A redução de massa muscular pode agravar o quadro, ou pelo menos acelerar o desenvolvimento da obesidade por redução na frequência da realização das atividades físicas. A sarcopenia permanece como uma condição diagnóstica mal definida, com base em baixa massa muscular, baixa força muscular e uma “má” função física (particularmente caracterizada por um caminhar lento).

 

Os problemas relacionados são muito maiores do que em sarcopenia ou obesidade, já que o aumento de gordura abdominal aumenta chance de hipertensão, câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, enquanto a perda de massa muscular prejudica a qualidade de vida, aumenta a chance de osteoporose (perda de massa óssea) e doenças articulares aumentando a chance de fraturas, queda da própria altura e incapacidade físicas permanente. Essa obesidade pode ser causada principalmente por prática inexistente ou inadequada de exercícios físicos, má alimentação, más orientações nutricionais vigentes e alterações na fisiologia hormonal.

Em relação aos exercícios físicos a forma ideal de prevenir esta condição é a associação de exercícios de força com atividades aeróbicas. Vemos com frequência profissionais indicando apenas a segunda condição como, por exemplo, as famosas caminhadas, o que na verdade feita de maneira isolada, pode não colaborar, pois esta prática favorece perda de massa muscular e é pouco eficiente na queima de gordura.

Em relação à dieta, além do consumo excessivo de fontes de açúcares, farináceos e gordura trans, um consumo excessivo de carboidratos em relação às proteínas e gorduras naturais o que piora de forma importante um quadro chamado de resistência à insulina, favorecendo o estoque de gordura abdominal. Para piorar, a orientação tradicional para emagrecimento se restringe a gastar mais e consumir menos calorias, o que pode piorar a perda de massa muscular.

Do ponto de vista metabólico vemos acontecer:

  • Aumento da resistência à insulina e diminuição de hormônios anabólicos
  • Aumento da inflamação crônica e diminuição da função neuromuscular
  • Diminuição do gasto energético e oxidação de gorduras devido ao envelhecimento.

 

Estudos atuais sugerem os potenciais benefícios do exercício de resistência sobre a prevenção e tratamento dessa condição  em adultos mais velhos. Uma dieta balanceada, natural com ingestão equilibrada de carboidratos  proteínas e gorduras, suplementação de aminoácidos e reposição hormonal quando necessários, são excelentes forma de prevenir esta condição