Revezamento de esperança

Eu e minha filha Isadora visitamos quatro países e seis cidades, em 12 dias de uma viagem incrível para a Europa. Compartilho com vocês essa deliciosa experiência. Nosso meio de transporte de um país a outro  foi o trem: eficiente, rápido e sem atrasos. Atinge a velocidade de 200 km/ hora.

De cidade em cidade admirando as paisagens, montanhas cobertas de gelo e árvores com folhas  amareladas sinalizando o fim do outono, pareciam pinturas. No caminho da Áustria  até a Alemanha recebi uma mensagem  da Andreia Freire, amiga virtual que largou a vida brasileira, pela francesa. Ela mora na cidade de Buhl. Durante a conversa perguntei sobre o motivo da mudança e ela me disse que foi por causa do tratamento do filho mais novo, André, de sete anos, diagnosticado com Distrofia Muscular de Duchenne. A família viajava nas férias para a França e costumava consultar com um neuropediatra.

A mudança radical veio em junho de 2015, movidos por um desejo de melhorar a qualidade de vida para todos. Não demoraram em colher os frutos da decisão corajosa. Andrea conta dois fatos interessantes e que nitidamente diferenciam o atendimento e a prioridade  às pessoas com deficiência.

O primeiro fato é que a família foi procurada por médicos parisienses que enquadraram André num protocolo de testes da doença ,já que até o momento não exige cura, somente tratamento. André tem acesso ao que existe de mais inovador para o seu tratamento. Coração de mãe aliviado!

O segundo fato é que novamente a família foi procurada. Desta vez pela AFAT Telethon,  uma associação de combate às doenças neuromusculares. O  impacto foi na vida social. Em novembro, mãe e filho participaram da Corrida de Revezamento, chamada “Revezamento da Esperança”. Nos 42 quilômetros, os atletas  se revezaram na condução dos triciclos. Minha amiga contou que muitas pessoas com necessidades especiais utilizavam um carrinho/bicicleta especial chamado ‘Joelette’, próprio para corridas e que muitas pessoas da escola do André participaram do evento. Foi emocionante ver todos participando sem nenhum conflito com as diferenças.

Quatro horas após essa conversa, chego ao meu destino, a Alemanha e começo a redigir este texto. O exemplo europeu nos dá a certeza de continuarmos dando nossos passos pela acessibilidade e inclusão social. À Revista Prado, gratidão por abraçar a causa junto comigo.