Portugal, o maior fornecedor de rolhas do mundo

Na edição de dezembro da Revista Prado, vou falar sobre a rolha. Um objeto que normalmente não damos tanto importância quando abrimos uma garrafa de vinho. Porém, ela é de extrema importância na manutenção e na evolução de um bom vinho. Há vários tipos de rolhas e a mais conhecida é a feita de cortiça. Fabricada a partir de uma árvore chamada Sobreiro, que desde que é plantada, demora cerca de 40 anos para que sua casca atinja a espessura ideal para a produção das rolhas. Após a primeira extração de sua casca, a cortiça só atinge novamente a espessura propícia a cada nove anos. Extrair a casca do Sobreiro é um trabalho manual, realizado com um machado, que precisa de muita perícia de quem o executa, pois um ferimento no tronco da árvore pode comprometer a nova casca que se formará após nove anos ou até mesmo pôr em risco a saúde da árvore.

A cortiça é a própria casca da árvore, formada por um tecido celular homogêneo, elástico, impermeável e isolante térmico. Para a fabricação da rolha, a cortiça passa por vários processos, desde sua extração da árvore. Depois de retirada e cortada em forma de pranchas, a cortiça precisa descansar durante seis meses, para depois ser lavada. Após esse tempo, é necessário cozinhá-la em água aquecida, mais alguns dias de descanso e pode receber o corte na forma cilíndrica e ser chamada de rolha.

Portugal é o principal produtor de cortiça do mundo sendo responsável por mais de dois terços da produção mundial de rolhas. Com o aumento da produção mundial de vinho e com todas essas dificuldades na produção do vedante, a cada dia fica mais difícil e caro a utilização de uma boa rolha. Pensando nisso, produtores e pesquisadores criaram algumas alternativas como rolhas sintéticas, de vidro, screwcaps, entre outras.

Por isso, de agora em diante a cada garrafa aberta, pense que junto à ela vem toda essa tradição secular na produção das rolhas de cortiça.