A história do biquíni

Até o final do século XIX ter a pele bronzeada era sinal de pobreza – somente os camponeses trabalhavam no sol. Mar servia para ser admirado e inspirar poetas. Não passava pela cabeça de uma dama se jogar na água. Contudo, o cientificismo atingia seu auge e uma revolução de pensamento em diversas áreas começava a questionar alguns valores. Médicos começaram a indicar banhos de mar e a exposição ao sol como hábitos saudáveis. Surgem, então, os trajes de banho.

As primeiras peças cobriam o corpo inteiro. Na sequência, as mulheres adotaram um blusão de mangas curtas em tecido encorpado – que chegava até a coxa e, por baixo, uma calçola bufante. As cores preto e azul-marinho predominava, porém, surgiram variações, como no estilo marinheiro, usadas com cinto. Nos pés, sapatos de lona com sola de borracha ou corda, que eram presos ao tornozelo por cadarços e meias. Na cabeça, toucas de tecido.

Em 1925, a roupa de praia ganhou desenhos excêntricos e encurtou, mas, manteve um pequeno saiote. Por influência de Hollywood, as damas dos anos de 1930, começaram a se preocupar com a silhueta e com o bronzeado. Os maiôs ganharam decotes acentuados e os saiotes reduzidos a quase nada. As costas começaram a ser valorizadas e surgiram o jérsei de lã, lastex e algodão. Neste período, a estilista Sonia Delaunay lançou o pareô como saída de praia. O short também começava a se impor, assim como grandes chapéus de pano e de palha.

Nos anos de 1940, surgiram os maiôs estampados em helanca, com enchimento de espuma no busto. Eles vieram no modelo tomara-que-caia ou com alças, em variações de duas peças em algodão, com calça lisa e babado imitando saiote. Em 1946, o francês Louis Réard lançou o biquíni – o nome era uma homenagem ao pequeno atol de Bikini, no Pacífico, onde os americanos realizavam testes atômicos. O primeiro modelo era de algodão com estampa imitando uma página de jornal. Foi considerado tão escandaloso que nenhuma modelo teve coragem de vesti-lo. Coube a stripper Micheline Bernandini, tal empreitada. Mesmo assim, nenhuma mulher comportada adotou.

Em 1956, o filme “E Deus Criou a Mulher” mostrou a francesa Brigitte Bardot usando um modelo xadrez vichy adornado com babados, que adotado por algumas. Em 1962, quando a atriz Úrsula Andress surgiu em cena do filme “OO7 Contra o Satânico Dr.No”, saindo do mar, usando um biquíni branco, com uma faca presa num cinto, finalmente, as mulheres o adotaram. A partir dali, surgiu um casamento que rendeu muitos frutos.